Brasileiros desenvolvem concreto verde a base de fibras de coco e resíduos de mineração

A indústria está sempre em busca de alternativas mais sustentáveis para seus materiais. Recentemente, uma equipe de cientistas brasileiros apresentou uma solução inovadora, um concreto verde produzido com fibras de coco e resíduos de mineração da rocha de quartzito, ideal para reforço de blocos. A pesquisa desse novo concreto verde para engenharia civil foi desenvolvida pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) em colaboração com outras instituições, além do apoio de importantes órgãos de fomento à pesquisa, como CNPq, Capes e Fapemig. E a equipe foi liderada pela doutora Isabelle Cristine de Carvalho Terra, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Biomateriais.

Desde o início, o objetivo sempre foi melhorar as propriedades do material para que esse pudesse impactar menos o meio ambiente e a indústria da construção, reduzindo as emissões de CO2. E, no fim, se optou por uma abordagem sustentável, visando benefícios econômicos e sociais significativos para comunidades dependentes especialmente da extração de quartzito. Os resultados da pesquisa foram publicados na Springer Link, em 2023, destacando o potencial da ciência para promover um futuro mais sustentável e próspero.

A nova proposta para blocos de concreto

A equipe da UFLA apresentou à comunidade científica a ideia de utilizar para a produção de blocos de concreto resíduos de mineração, especialmente o subproduto “pó” de quartzito, e fibras de coco. Esses materiais ajudaram a reforçar a massa de concreto, embora não tenham melhorado significativamente a sua resistência. Por outro lado, os blocos moldados com esse composto apresentaram menor densidade, favorecendo a construção de edifícios de estruturas leves.

As peças foram submetidas a testes rigorosos, para garantir que atendessem aos padrões estabelecidos pelas normas técnicas brasileiras. Ainda é aguardada uma análise mais detalhada dos materiais e formulação de composições. Porém, por hora, já se sabe que a substituição parcial de areia por pó de quartzito e fibras de coco no concreto verde em resultou em blocos 25% mais resistentes à compressão, duráveis, com porosidade certa para isolamento térmica e menor condutibilidade térmica.

Os benefícios do concreto verde

O primeiro benefício que podemos citar dessa proposta dos cientistas brasileiros é a promoção da reciclagem de materiais descartados. Além disso, também a ecoeficiência na construção civil, reduzindo a dependência de recursos naturais. Para as comunidades que sobrevivem de atividades como plantio de coco e mineração (extração de quartzito), a proposta faz gerar mais opções de empregos locais e redução dos desperdícios.
É um impulso para a economia e para a promoção da sustentabilidade ambiental dessas regiões, fazendo melhorar a qualidade de vida de todos. Enfim, a pesquisa brasileira representa um marco no desenvolvimento de práticas mais sustentáveis no setor da construção. Ela demonstra o potencial das fibras de coco e dos resíduos de mineração para a produção de concreto verde. O mesmo deve inovar a Engenharia Civil nacional transformando a forma como os materiais são utilizados para erguer edifícios, casas e mais.

Fonte: www.engenharia360.com

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