Dos prêmios Nobel

Existem cinco categorias de prêmios Nobel: Física, Química, Medicina, Literatura e Paz. Para todos, exceto para o da Paz, os ganhadores são escolhidos por instituições suecas. O Nobel da Paz é definido pelo parlamento norueguês. Pois é: eles são nórdicos e se entendem.

O que se conhece por prêmio “Nobel de Economia” é, na verdade, o Prêmio do Banco Central da Suécia, em memória de Alfred Nobel. Também não há Nobel de Matemática.

Alguns matemáticos, todavia, já ganharam o tal “Nobel de Economia” por desenvolverem modelos matemáticos aplicáveis em economia. Um deles foi John Forbes Nash Jr., cuja vida foi tema de um filme fascinante: “Uma mente brilhante”.

Nenhum brasileiro ganhou prêmio Nobel algum. Hispano-americanos, entretanto, já foram contemplados nas categorias Literatura e Paz.

Em Literatura, foram ganhadores: uma chilena, um chileno, um guatemalteco, um colombiano e um mexicano. Quanto ao Nobel da Paz, os premiados foram: dois argentinos, um mexicano, um costa-riquenho e uma guatemalteca.

O único ganhador de Nobel de Literatura de língua portuguesa foi o romancista, contista, dramaturgo e poeta português José Saramago (1922-2010), agraciado em 1998.

Afinal, qual é a origem desses prêmios? É o que, sucintamente, contaremos a seguir.

Alfred Bernhard Nobel nasceu em 21 de outubro de 1833, em Estocolmo, capital da Suécia. Nesse mesmo ano, Immanuel Nobel, engenheiro e pai de Alfred, foi à falência.

Para escapar de credores, ele se mandou para a Finlândia e, em seguida, para São Petersburgo, na Rússia. Depois de vários anos, e por estar prosperando com a fabricação de explosivos, providenciou a ida da família àquela cidade.

Todavia, com o final da Guerra da Criméia, os negócios de Immanuel começaram a “ir para o brejo” e ele faliu novamente. Desta vez, ele voltou à Suécia levando a esposa e o filho mais novo, Emil. Ficaram na Rússia: Alfred e seus dois irmãos mais velhos, Robert e Ludwig.

Depois de estudar química na Rússia, Alfred voltou à Suécia para ajudar seu pai na fabricação de nitroglicerina, um novo líquido explosivo. Aqui cabe um comentário. Muita gente crê que Alfred Nobel inventou a nitroglicerina, que, na verdade, foi inventada pelo italiano Ascanio Sobrero (1812-1888).

O que Nobel inventou foi, inicialmente, uma espoleta para detonar a nitroglicerina. E, depois de uma série de catástrofes, incluindo a morte do irmão mais novo numa explosão, Nobel descobriu uma forma de acondicionar a nitroglicerina, tornando-a mais segura até ser acionada por uma espoleta. Enfim, o sueco inventou a dinamite.

Posteriormente, Nobel fez outra descoberta: a gelatina explosiva – uma combinação de nitrocelulose com nitroglicerina –, mais potente que cada um dos componentes e tão segura como a dinamite.

Nobel patenteou suas invenções, ficou riquíssimo e nunca se casou. Por ficar solteirão, foi considerado homossexual por um bom tempo.

Em 1950, com a liberação de arquivos pela Fundação Nobel, tornou-se de conhecimento público o envolvimento, de Nobel, com três mulheres e o “papo homo” foi esquecido. Aliás, papo irrelevante. Não obstante, falaremos dos três casos “nobelísticos”.

A primeira mulher de Nobel foi uma jovem que ele, aos 18 anos, conheceu em Paris. Trocaram, além de outras coisas, muitos poemas. Infelizmente, a parisiense morreu precocemente, deixando Nobel com a cabeça a ponto de explodir.

Aos 43 anos, também em Paris, ele precisou de uma secretária e acabou por contratar uma jovem austríaca charmosa e inteligente (Berta Kinsky) que, pouco tempo depois, retornou à Áustria para se casar com um nobre – Von Suttner.

Berta Von Suttner tornou-se uma defensora da paz internacional, amiga vitalícia de Nobel e influenciadora da instituição do prêmio Nobel da Paz.

Ainda aos 43 anos, Nobel conheceu outra jovem austríaca, Sophie Hess, uma bela judia de 20 anos. Com os hormônios explodindo, ele montou dois apartamentos para encontros com a rapariga. Um em Paris e outro em Viena. Recursos para tais explosões não lhe faltavam.

Sucede que a jovem, pusilânime que era, ficou grávida de um oficial húngaro. E, oportunistas, ambos tentaram extorquir Nobel para não revelarem as 216 cartas dele para Sophie. Esse assunto, muito explosivo, foi resolvido como se faz rotineiramente em Brasília – com muita grana.

No outono de 1895, em Paris, Nobel, sem herdeiros, elaborou o testamento que se tornou a base da Fundação Nobel e dos prêmios. A imprensa sueca não gostou de o Prêmio da Paz ser definido pela Noruega. Foi uma forma que Nobel encontrou para demonstrar sua aversão à xenofobia.

Um ano depois da feitura do testamento, Nobel morreu na Itália, em 10 de dezembro de 1896.

Em 1991, como sátira ao prêmio Nobel, foi criado, em Harvard, o prêmio “IgNobel” para estudos e experiências que primeiro façam as pessoas rir, e depois pensar.

Eis a nossa chance. Em fazer rir, já somos craques.

 

Adalberto Nascimento

Ex-secretário de Edificações e Urbanismo (1983/88), de Transportes e presidente da Urbes (1993/96), é engenheiro civil graduado pela Poli-USP (1972), pós-graduado na área de Transportes, atua como engenheiro, consultor e professor universitário nas áreas de Sistema Viário, Trânsito, Transportes, Planejamento Urbano, Informações Geográficas e Geoprocessamento.

Associado n.º 1 da AEASMS, é escritor, autor de livros de crônicas e curiosidades matemáticas e membro da Academia Sorocabana de Letras. Escreve quinzenalmente neste espaço.

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