O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) lançou, na última segunda-feira (16), o Infra-BR, uma plataforma criada para avaliar as condições da infraestrutura brasileira em cada estado. A iniciativa surge diante da falta de mapeamento estruturado da infraestrutura no país, um fator que pode comprometer tanto o crescimento econômico quanto a qualidade de vida da população.
Dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indicam que o Brasil investe cerca de 2% do PIB no setor, enquanto o necessário seria ao menos 4,5%. Já a OCDE, em relatório recente sobre o Brasil, aponta a baixa transparência como um entrave adicional ao desenvolvimento. Nesse contexto, a ampliação eficiente dos investimentos depende de informações qualificadas e diagnósticos precisos. É fundamental identificar prioridades regionais, gargalos estruturais e áreas com maior potencial de retorno social e econômico.
Para atender a essa demanda, o Confea desenvolveu o Infra-BR — Índice Confea de Infraestrutura do Brasil. A ferramenta, gratuita e de acesso público, organiza os dados em uma escala de 0 a 100, permitindo comparar o desempenho dos estados e avaliar o que já foi realizado e o que ainda precisa avançar. O índice foi elaborado em parceria com a equipe responsável pelo Índice de Progresso Social (IPS-Brasil) e segue metodologia semelhante à adotada pela American Society of Civil Engineers (ASCE), amplamente utilizada nos Estados Unidos.
A proposta é oferecer suporte técnico à tomada de decisão, ajudando gestores a direcionar recursos de forma mais estratégica. Os dados evidenciam fortes desigualdades regionais. O Distrito Federal aparece com uma das maiores pontuações (acima de 74 pontos), enquanto o Acre figura entre os piores desempenhos, com menos de 30 pontos. Entre os estados acima da média nacional, a maioria está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Já entre os piores resultados, predominam estados da região Norte.
No Nordeste, o saneamento básico se destaca como o principal desafio. Estados como Pernambuco e Maranhão apresentam índices baixos nessa dimensão, enquanto o Acre registra um dos piores desempenhos. Em contraste, unidades como Paraná e Distrito Federal apresentam níveis significativamente mais elevados.
Além de orientar políticas públicas, o Infra-BR também permite monitorar a evolução da infraestrutura ao longo do tempo. Com métricas padronizadas e atualizações anuais, a plataforma favorece a formulação de políticas de Estado baseadas em evidências, em vez de ações pontuais e desarticuladas. O índice abrange áreas estratégicas nas quais a engenharia tem atuação direta, organizadas em seis dimensões: energia e conectividade; mobilidade; água; bem-estar social e cidadania; meio ambiente e resiliência; e saneamento básico.
Ao consolidar dados confiáveis e comparáveis, o Infra-BR se posiciona como uma ferramenta relevante tanto para gestores públicos quanto para a sociedade, contribuindo para maior transparência, melhor alocação de recursos e acompanhamento dos desafios estruturais do país.
Monitoramento da infraestrutura nacional
O Confea também anunciou o Infra-BR como um instrumento de acompanhamento contínuo da infraestrutura brasileira. Segundo o presidente do Confea, Vinicius Marchese, o principal desafio não é apenas investir mais, mas saber onde e como aplicar os recursos. Com base nos indicadores do Infra-BR, torna-se possível diferenciar demandas urgentes de ações de longo prazo, fortalecendo a priorização baseada em evidências.
A ferramenta também evidencia disparidades regionais relevantes, reforçando a necessidade de políticas públicas mais direcionadas. Além disso, contribui para maior transparência e permite que a população acompanhe os principais desafios de suas regiões. Os dados disponibilizados são atualizados periodicamente e podem ser utilizados tanto para planejamento estratégico quanto para avaliação de políticas públicas.
Ao identificar vulnerabilidades e riscos — inclusive relacionados a mudanças climáticas — o índice amplia a capacidade de resposta do poder público. O Infra-BR está disponível gratuitamente e pode ser acessado online, consolidando-se como um importante instrumento para modernizar a gestão pública e qualificar o debate sobre infraestrutura no Brasil. Para mais informações, acesse https://www.infrabr.org.br. Fonte: https://engenhariae.com.br