Conselho Nacional de Educação (CNE) compara diretrizes curriculares

Na tarde da última terça-feira (25), representantes da educação e da engenharia continuaram reunidos no X Fórum de Gestores das Instituições de Educação em Engenharia onde está sendo discutido a “Implantação das novas diretrizes curriculares para a Engenharia”.

A última publicação do documento aconteceu em 2002, no decorrer desses anos com o avanço da tecnologia, surgiu a demanda por reformular o ensino da engenharia no país. Durante o Fórum, o presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), Vanderli Fava de Oliveira, fez uma comparação entre as antigas e as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs).

Em sua apresentação, Oliveira apresentou um panorama da engenharia no Brasil. Ele explicou que no Brasil predominam os cursos de engenharia de infraestrutura, já nos Estados Unidos prevalecem as engenharias de inovação, o que reflete as características e a fase de desenvolvimento de cada nação. Vanderli ainda comentou sobre a evasão escolar, que ainda é muito alta e acompanha as oscilações da economia.

Sobre as novas diretrizes curriculares, a carga horária estabelecida é de 3600 horas, ou seja, aproximadamente 5 anos de curso, no mínimo. Propõe-se também um Projeto Pedagógico do Curso (PPC) mais flexível, que considera o perfil do egresso, regime de oferta e duração do curso, entre outras mudanças.

Segundo Vanderli, o perfil do egresso traz mudanças nas quais as instituições de ensino serão mais cobradas pelo cidadão que pretendem formar. “De modo que desenvolvam competências da profissão, como saber pesquisar, ser capaz de reconhecer a necessidade do usuário.”, explicou. Assim o perfil do novo engenheiro deve contemplar: visão holística, solução de problemas, cooperação, inovação, empreendedorismo, adoção de perspectivas multidisciplinares e transdisciplinares em sua prática. As antigas DCNs não tratavam do acolhimento do egresso, o novo texto propõe acolhimento e nivelamento. “O psicopedagógico aqui fala alto, não podemos descartar as pessoas por questões culturais e sociais. O acolhimento funciona na Argentina muito bem, antes 70 % de evasão hoje está em 30%.”, informou Oliveira.

No que se refere ao estágio obrigatório, permanecem as 160 horas, entretanto as novas diretrizes sugerem parceria com organizações que desenvolvam ou apliquem atividades de Engenharia, de modo que docentes e discentes do curso, bem como profissionais dessas organizações, se envolvam efetivamente em situações reais. Na conclusão do curso, não será mais trabalho final e sim projeto final de curso, que poderá ser individual ou em equipe. “Se adequando as tendências de trabalho em equipe e multidisciplinaridades”, explicou. A partir da data de publicação do novo texto, as instituições terão o prazo de três anos para implementar as diretrizes.

Preocupações

O conselheiro federal eng. civ. Osmar Barros Junior explicou o papel da Comissão de Educação e Atribuições Profissionais (Ceap), a qual estava representando. “A Comissão de Educação é a porta de entrada e saída de tudo que diz respeito à formação profissional ou a educação no Sistema Confea/Crea. Nós recebemos os egressos das instituições de ensino, registramos, concedemos atribuições e depois fiscalizamos os profissionais que estão trabalhando.”

Osmar manifestou preocupação diante do novo cenário com as diretrizes propostas. “Como conceder a atribuição profissional a partir de uma diretriz mais aberta? Pois teremos o mesmo curso, a mesma modalidade sendo ofertada de maneiras diferentes em nosso país”, ponderou. O conselheiro ainda lembrou da existência do Decreto 9235/17, que abre a possibilidade para os Conselhos Profissionais participarem da regulação e da supervisão de avaliação das instituições. “Estamos tentando junto ao MEC fazer uma agenda permanente no sentido de colocar à disposição do sistema educacional do país a capilaridade que temos em todos os estados”, informou. O presidente do Crea Bahia, eng. civ. Luís Edmundo Prado de Campos, complementou informando que o Sistema dispõe de um monitoramento dos egressos registrados nos Creas e sua atuação no mercado de trabalho.

“Essa informação pode ser útil para as instituições de ensino analisarem o perfil das pessoas que estão colocando no mercado de trabalho”, analisou o presidente do Crea baiano.

Processo de avaliação

O presidente do Conselho Nacional de Educação, Luiz Roberto Liza Curi, propôs uma reflexão sobre os processos de avaliação e regulação das instituições de ensino. “Nós não podemos imaginar que o processo avaliativo gere uniformidades, ele tem de avaliar as diferenças. Como vai avaliar as diferenças se os instrumentos são os mesmos para as instituições de diferentes qualificações? Avaliação acaba virando constatação genérica”, disse.O presidente do CNE defende que a avaliação e a regulação devem estimular o desenvolvimento, devem ampliar o padrão de compromisso das instituições com a sociedade. “Elas devem partir do compromisso com a sociedade e não do compromisso prévio com o processo de avaliação, com o Mec ou CNE.”, analisou.

Segundo Curi, o país vive um momento em que se avalia para proteger a sociedade do mal feito, quando se deveria garantir as boas diferenças, perfil docente diverso do outro, instituições focadas para pesquisa, outras voltadas para o trabalho. “Hoje os padrões avaliativos expressam os padrões regulatórios baseados em uma avaliação burocrática, regulatória, deve-se estimular a sociedade e não o mantenedor”, defendeu. Curi ainda aproveitou a presença do diretor do MEC, Marco Heleno, para agradecer a pronta homologação das novas diretrizes feitas pelo atual ministro da Educação.

O evento, que é realizado pela Abenge, com apoio do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), do Conselho Nacional de Educação (CNE) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), prossegue na quarta-feira (26). No segundo dia do evento, haverá a continuidade das discussões em plenária, interação com as Organizações (empresariais/institucionais – publicas/privadas) além da criação da Comissão Nacional para elaborar proposta de implantação a ser discutida no Cobenge 2019.

Fonte: Confea

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