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É preciso mais respeito e consideração pelos idosos

Um vídeo que circula pelas redes sociais há algumas semanas, mostra os transtornos e dificuldades que os idosos aposentados enfrentam para se adequarem as novas tecnologias adotadas pela Previdência Social e continuarem recebendo seus benefícios. O vídeo (veja abaixo) começa com um senhor postado em frente a um celular, empunhado provavelmente por um parente, tentando seguir a orientação da atendente virtual do INSS naquele tradicional – afaste a câmera do rosto, aproxime-se da câmera, abra os olhos, etc…
Para consultar benefícios, realizar provas de vida ou resolver questões simples, o aposentado precisa lidar com aplicativos, cadastros, senhas complexas, códigos enviados por celular e sistemas de reconhecimento facial. O que para muitos jovens parece simples, para os idosos se transforma em um processo angustiante e humilhante.
Em muitos casos o reconhecimento facial não ocorre (as vezes por falha do sistema) e o benefício é suspenso, levando os idosos ao desespero, pois é com esse dinheiro que se mantém. Deve ser considerado também que muitos não tem familiaridade nenhuma com computador, celulares e muito menos, sabe navegar na internet. Outros vivem isolados em áreas rurais, não tem acesso à internet e, só vão para a cidade para receber o benefício. Imaginem a decepção de chegar ao banco e o valor não foi depositado.
A aposentadoria, que deveria representar um período de tranquilidade e dignidade, tem se transformado em um pesadelo. Não são raros os relatos de velhinhos que passam horas tentando acessar o aplicativo sem sucesso, esquecem senhas, não conseguem reconhecer os comandos da tela ou têm dificuldades até para compreender as mensagens automáticas. Em muitos casos, dependem da ajuda de filhos, netos ou terceiros para resolver tarefas básicas, perdendo autonomia justamente em uma fase da vida em que mais necessitam de segurança e acolhimento.
Além da exclusão digital, existe também uma exclusão humana. O fechamento de agências, a redução do atendimento presencial e a substituição de pessoas por telas deixam muitos idosos desamparados. O contato humano, tão importante para orientar, ouvir e tranquilizar, vem desaparecendo gradativamente.
É preciso compreender que tecnologia deve servir para incluir, e não para afastar. A modernização dos serviços públicos é extremamente importante, vem facilitar e muito a vida dos cidadãos, mas, não pode ignorar a realidade de milhões de brasileiros idosos que trabalharam e muito para construir o país e agora enfrentam dificuldades para acessar direitos básicos. Garantir atendimento presencial, canais simplificados e suporte humano adequado não é um favor — é uma questão de respeito, cidadania e dignidade, assegurados inclusive pelo Estatuto do Idoso. Assista o vídeo…

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