O esotérico 19

Inicialmente, vejamos um fato interessante ligado ao número dezenove. Se o leitor, por exemplo, nasceu numa dada hora de um dia em que ocorreu, digamos, lua cheia, somente no seu aniversário de 19 anos ocorreu ou ocorrerá novamente lua cheia. E isso acontecerá, além de no 19º, nos aniversários de comemoração dos anos múltiplos de 19, ou seja: 38, 57, 76, 95, 114.

Quem primeiro sacou isso foi um grego. Em 432A.C., o astrônomo e matemático grego Meton descobriu que 235 meses lunares correspondem a exatamente 19 anos. Isso, interpretado como uma espécie de vitória do Sol sobre a Lua, deu ao 19 um significado especial. Ele também acabou sendo batizado como “áureo” por ser utilizado na definição do dia da festa da Páscoa cristã. Esse é um assunto complexo sobre o qual não entraremos em detalhes. Vamos apenas lembrar que existe outro número chamado de ouro (ou áureo), relacionado à divisão áurea: é o número de Fibonacci. Ele é a metade da soma de um com a raiz quadrada de cinco. Sugerimos pesquisa sobre isso na Internet. É uma das maravilhas da matemática.

Voltando ao 19. Ele é a base do calendário judaico e o ciclo correspondente a 19 anos ficou batizado de ciclo metônico, em homenagem ao matemático grego. O ciclo metônico dá uma volta completa pelo horóscopo, dividindo, segundo os astrólogos, nossa vida em quatro fases: alvorada, manhã, tarde e noite. Pensando nisso, eu e minha patota já estamos no período noturno. Alguns, infelizmente, já partiram ao cair da tarde. Sorte daqueles, como eu, que podem usufruir da delícia, na etapa noturna, de ver e conviver com as alvoradas de netinhos. Retrocedemos à manhã da nossa existência. Passa a valer o “ciclo netônico”. Ou seria “ciclo nepótico”?

O 19 é um número bastante significativo no Islamismo. Dezenove portais conduzem ao pátio em torno da Caaba. A Caaba, situada na Arábia Saudita, é uma construção semelhante a um cubo, com cerca de 15 metros de altura e considerada o “altar de Meca”. Esse cubo fica permanentemente coberto por uma manta escura com bordados dourados, que é regularmente substituída. Em seu interior encontra-se a “Pedra Negra”, possivelmente um meteorito, de cerca de 50 centímetros de diâmetro.

A Mesquita de Córdoba, na Espanha, também possui dezenove portais de entrada. Nela, o púlpito do Imã tem dezenove degraus. E o dezenove continua: o Alcorão compreende 114 (6 vezes 19) versículos ou capítulos, com 2.698 (142 vezes 19) menções a Alá.

Na Idade Média, o dezenove era considerado pelos esotéricos como um símbolo da totalidade cósmica. Isso porque a soma do número de meses (12) com os dos dias da semana (7) totaliza 19. Na época, tal fato era ratificado pelos astrólogos devido ao fato de a soma dos doze signos com os sete planetas resultar 19.

 

Adalberto Nascimento
(⭐6/6/1946 | ➕1/7/2019)

Engenheiro civil graduado pela Poli-USP (1972), pós-graduado na área de Transportes, atuou como engenheiro, consultor e professor universitário.
Foi o associado n.º 1 da AEASMS, servidor municipal de carreira, ex-secretário de Edificações e Urbanismo (1983/88), de Transportes e presidente da Urbes (1993/96).
Escritor, autor de livros de crônicas e curiosidades matemáticas e membro da Academia Sorocabana de Letras. Além de publicados pelo jornal Cruzeiro do Sul, entre outros veículos, seus artigos ilustraram e continuam ilustrando o conteúdo deste site “Coluna do Dal e Desafio do Prof.º Dal”.

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