Prefeitura do RJ e Nasa têm parceria inédita para prevenção de deslizamentos e adaptação às mudanças climáticas

Dados globais da Terra obtidos por satélites da Nasa, a agência espacial do governo dos Estados Unidos, pela primeira vez são utilizados para criar uma ferramenta digital que irá contribuir para a mitigação de riscos ambientais de uma cidade. A partir de novembro, quando se inicia o período de chuvas fortes no Rio de Janeiro, a Prefeitura vai contar com um modelo matemático inédito no mundo, o LHASA Rio, que acrescido de dados em escala local será utilizado para previsão de deslizamentos de terra no curto prazo.

Fruto de um acordo de cooperação técnica, intermediado pelo Instituto Pereira Passos (IPP), entre a agência espacial norte-americana e a Prefeitura, o programa está sendo integrado ao sistema Alerta Rio. Seu funcionamento é baseado no cruzamento de dados do volume de chuvas, colhidos a cada 15 minutos por pluviômetros instalados na cidade, e mapeamento de suscetibilidade a deslizamentos de terra, fornecidos pela Fundação GeoRio, que é o órgão municipal responsável pelo monitoramento e pela contenção das encostas cariocas. O novo software faz análise em tempo real e, também, é capaz de fornecer dados históricos sobre as regiões com maior probabilidade de sofrer deslizamentos.

Apresentado pela pesquisadora da Nasa, Dalia Kirschbaum, durante o II Seminário do Sistema Municipal de Informações Urbanas, realizado na semana passada na sede do Ministério Público, o programa permite monitorar com mais precisão as áreas de risco. Além disso, em um cenário onde as previsões são de intensificação dos eventos climáticos extremos, constitui-se numa ferramenta importante para a adaptação da cidade às mudanças climáticas.

O acordo entre a Prefeitura do Rio e a Nasa começou oficialmente em dezembro de 2015 e prevê, ainda, o desenvolvimento de outros estudos e ferramentas alimentados, também, por dados de satélites e dados locais.

Em março deste ano, no Canadá, foi apresentado, na primeira conferência sobre cidades do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um dos resultados dessa cooperação técnica: um estudo para identificar as áreas da cidade mais vulneráveis à elevação do nível do mar. Há ainda ferramentas, que estão em fase de aprimoramento, que poderão ser utilizadas para auxiliar no monitoramento da poluição do ar e da água

Outro produto dessa parceria do Rio com a Nasa é a capacitação para professores da rede pública de ensino em temas relacionados às mudanças climáticas. Os cursos são ministrados, pela internet, por especialistas norte-americanos em conjunto com técnicos da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro que atuam em áreas relacionadas.

“A partir destas capacitações, uma professora da Escola Municipal Minas Gerais (localizada na Urca) se envolveu no programa GLOBE (Programa Global de Aprendizagem e Observações para Beneficiar o Meio Ambiente, na sigla em inglês) e recebeu um prêmio pelo trabalho que desenvolveu com as crianças, ” explicou Felipe Mandarino. Nos próximos anos estão previstas a realização de outras capacitações via web.

Segundo a pesquisadora da Nasa, a experiência com a cidade do Rio de Janeiro representa um avanço nos estudos da área de Ciências da Terra da agência espacial e pode servir como modelo de estudo para ser replicado em outras cidades do mundo. O coordenador técnico de informações da cidade do IPP, Luiz Roberto Arueira, explicou que a adaptação dos modelos de previsão de deslizamentos realizados para o Rio já pode ser utilizados por outros municípios da região metropolitana.

“Para isso, basta que esses tenham monitoramento de seus dados locais relacionados a fenômenos naturais, como a quantidade de precipitação de chuva. O IPP pode oferecer apoio técnico na aplicação destas informações locais no modelo desenvolvido com a Nasa e, cada município interessado, poderá testar a ferramenta em seus territórios”, afirmou Arueira.

Dalia Kirschbaum foi uma das palestrantes estrangeiras a participar do II Seminário SIURB, organizado pelo IPP, com o objetivo de estimular a troca de experiências e conhecimento entre os atuais usuários do sistema de informações. Depois da palestra realizada no dia 13/9, a pesquisadora fez uma visita técnica no COR na manhã do dia seguinte, onde os metereologistas, geólogos e técnicos da Defesa Civil vão fazer a validação do novo modelo de previsão para deslizamentos.

Durante à tarde deste mesmo dia, ela participou com Felipe Mandarino, gerente de estudos ambientais e das mudanças climáticas do IPP, de um encontro com técnicos da Prefeitura envolvidos na parceria para debater sobre os próximos passos do acordo de cooperação. Esse grupo, em sua maioria, já havia participado de um workshop realizado em Nova Iorque em novembro de 2016. Em ambos os eventos, funcionários da Prefeitura do Rio e cientistas da NASA puderam trocar experiências e receberem treinamento para avançar na resiliência da cidade às catástrofes em decorrência das mudanças climáticas.

 

Fonte: Prefeitura do Rio de Janeiro
Foto: Shana Reis AFP / Getty Images

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