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Reforma Tributária deve elevar custos de obras em até 20%, diz estudo

A Reforma Tributária deve elevar custos de obras em até 20% a partir da regulamentação da Lei Complementar 214/2025, segundo estudo da BSSP Consulting, divulgado com exclusividade pela Revista Exame. A análise aponta que os efeitos da mudança na cobrança de impostos sobre o consumo devem provocar uma das maiores reestruturação na cadeia produtiva da construção civil nas últimas décadas. O estudo foi coordenado por Liêda Amaral, consultora líder da BSSP, e pelos tributaristas Fábio Lira e Fábio Rodrigues.
O relatório prevê impactos diretos nos custos líquidos e margens operacionais das empresas do setor, com variações que vão desde uma redução média de 4% em insumos industriais até aumentos de até 20% em custos finais de obras — especialmente nas companhias com menor integração de processos ou que dependem de contratação direta de mão de obra. “A transição para um modelo de não cumulatividade, com substituoção do PIS/Cofins por CBS e IBS, exige uma revisão completa da estrutura de precificação e fiscal das empresas”, afirma Liêda Amaral.
Segundo ela, o setor é altamente intensivo em serviços e mão de obra, o que o torna mais exposto a mudanças nas regras de tributação indireta. Outro ponto destacado pela consultoria é a adoção da chamada tributação “por fora”, em que os tributos deixam de ser embutidos no preço final e passam a ser destacados separadamente. Isso, segundo o estudo, trará ganhos de transparência e eficiência, mas também aumentará a exposição dos custos tributários ao consumidor final.
Na indústria de insumos como aço, cimento e cerâmica, o relatório projeta uma leve deflação tributária, com queda média de 4% devido a geração de créditos. Por outro lado, no caso da mão de obra, a estimativa é de alta entre 18% e 20% até 2029, com o fim do atual Regime Especial de Tributação (RET). Equipamentos e EPIs devem subir cerca de 2%, puxados pelo novo Imposto Seletivo (IS).
A construção civil representa cerca de 3% do PIB brasileiro e emprega diretamente 3 milhões de pessoas, segundo a Câmara Brasieleira da Indústria da Construção Civil (CBIC). O segmento de varejo de materiais responde por 15,2% do PIB da cadeia, movimentando R$580 bilhões por ano, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).
A análise da BSSP reforça que a Reforma Tributária representa a maior transformação do sistema de consumo em mais de 50 anos. A transição, segundo os consultores, deve funcionar como um divisor de águas entre empresas preparadas e aqueleas que ainda operam sob modelos antigos. Fonte: https://exame.com

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