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Infraestrutura verde ganha espaço no planejamento urbano

Telhados verdes, jardins de chuva, biovaletas e cidades-esponja deixaram de ser soluções experimentais para ocupar espaço central nas discussões sobre adaptação climática. O tema abriu as atividades do palco transição energética do Fórum de Infraestrutura e do Colégio de Inspetores 2026. O painel reuniu especialistas para discutir o potencial de transformar as cidades com infraestrutura verde e Soluções Baseadas na Natureza (SbN).
A geóloga Amarilis Gallardo, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), destacou que as SbN vêm sendo incorporadas como instrumentos cruciais no enfrentamento dos impactos ambientais urbanos.
Segundo ela, essas iniciativas têm potencial para reduzir enchentes, melhorar o conforto térmico e ampliar a capacidade de adaptação frente a eventos extremos. “As Soluções Baseadas na Natureza precisam deixar de ser tratadas como intervenções pontuais e passar a integrar o planejamento urbano de forma estruturada. A área tecnológica é fundamental na construção dessas estratégias e na criação de cidades mais resilientes”, afirmou a palestrante.
Ao apresentar exemplos aplicados em diferentes contextos, Amarilis também ressaltou que o avanço dessas ações depende da integração entre as frentes técnicas, as políticas públicas e o planejamento. “Quando incorporamos infraestrutura verde aos projetos urbanos, estamos trabalhando não apenas a questão ambiental, mas também saúde, drenagem, qualidade de vida e segurança climática”, completou.
Na sequência, o biólogo Guilherme Genari, fundador da Iandé, empresa de consultoria especializada em inovação e bioeconomia, trouxe ao debate o conceito de biomimética, abordagem que busca na própria natureza referências para o desenvolvimento de soluções técnicas e projetos de Engenharia.
Para ele, muitos dos desafios enfrentados atualmente já encontram respostas nos sistemas naturais. “A natureza opera há milhões de anos com eficiência, adaptação e equilíbrio. Quando observamos esses processos e os aplicamos aos projetos, ampliamos nossa capacidade de inovar de forma inteligente e sustentável”, explicou Genari.
O biólogo também defendeu uma mudança de perspectiva na elaboração de estruturas urbanas. “Trazer a natureza para dentro da Engenharia significa compreender estratégias naturais que podem tornar as soluções mais eficientes, resilientes e compatíveis com o ambiente”, pontuou.
A programação foi encerrada com uma roda de conversa que, com a participação do público, aprofundou os debates sobre os desafios da implementação dessas iniciativas no contexto urbano brasileiro. Mediando o debate, o geólogo Ronaldo Malheiros destacou que as soluções apresentadas ao longo do painel apontam para novas perspectivas. “As cidades foram planejadas por décadas para afastar a natureza. Hoje, os principais exemplos de adaptação climática trazem ela de volta para dentro dos projetos”, observou. Fonte: Crea-SP.

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