Carreira de Ruy Ohtake é tema de duas mostras simultâneas em São Paulo

Museu da Casa Brasileira
Ruy Ohtake: A produção do espaço

Abertura: 26 de fevereiro, terça-feira, às 19h
Visitação até 19 de maio de terça a domingo, das 10h às 18h
Avenida Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada) | Crianças até 10 anos e maiores de 60 anos são isentos | Pessoas com deficiência e seu acompanhante pagam meia-entrada
Gratuito aos finais de semana e feriados
Tel.: (11) 3032-3727

 

Instituto Tomie Ohtake
Ruy Ohtake: O design da forma

Abertura: 25 de fevereiro, às 20h
Visitação até 14 de abril, de terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada Franca
Av. Faria Lima 201 – Complexo Aché Cultural
Entrada pela Rua Coropés, 88, Pinheiros
Fone: (11) 2245 1900

 

Ruy Ohtake: O design da forma

 

Um panorama da obra de Ruy Ohtake, desde recém-formado até projetos atuais, poderá ser conferido no Instituto Tomie Ohtake, na mostra “Ruy Ohtake: O design da forma”, que traz a sua produção como designer, por meio de aproximadamente 25 peças selecionadas pelos curadores Fábio Magalhães, Marili Brandão e Priscyla Gomes. Ocorre ao mesmo tempo, no Museu da Casa Brasileira, outra exposição que exibe cerca de 40 projetos construídos ou em construção, com curadoria de Agnaldo Farias. As duas exposições visam aprofundar dois momentos (arquitetura e mobiliário) que delineiam iniciativas e pesquisas únicas, nas quais o arquiteto debruçou-se com uma inventividade formal pautada pelo risco. A última exposição que situou em perspectiva o trabalho de Ohtake ocorreu em 2008, na FAU-USP para celebrar os 60 anos da faculdade.

No Instituto Tomie Ohtake estão reunidas peças de mobiliário, objetos e materiais de acabamento criados por Ohtake. Conforme Priscyla Gomes, o arquiteto múltiplo é perito em definir com precioso desenho desde projetos de escala urbana até detalhes mais sutis, que configuram uma longa e minuciosa investigação acerca de como se é possível desenvolver, concomitantemente, mobiliário e edificação. Em seus projetos de arquitetura desenha elementos como mesas, estantes, sofás, aparadores e escadas, em concreto. “Há muitos anos o arquiteto tem um modus operandi único, com a arquitetura e o design inseridos no mesmo corpo”, afirma Fabio Magalhães.

A partir de 1995, desloca este seu saber para a indústria. Cria peças nos mais variados materiais: porcelanato, madeira, aço, vidro, porcelana de inovadora resistência e prata. O enfoque da apresentação destas peças no Instituto Tomie Ohtake busca destrinchar atentamente sua proximidade com o estudo dos materiais, seus comportamentos e limites, além de um entendimento atento às etapas de produção.

A mostra reúne além de obras originais, desenhos, modelos volumétricos, vídeos e entrevistas com o arquiteto. Para Priscyla Gomes, os elementos selecionados reiteram associações entre seus raciocínios construtivos, nos quais cortes e dobras acabam por definir aspectos estruturais de sua composição. “A contemporaneidade do arquiteto está alinhada a um pensamento vanguardista no qual estar à frente é decidir com liberdade novos parâmetros à criação”, completa.

Programação

Laboratório com Ruy Ohtake / Outras possibilidades da madeira no design

Como parte da exposição, Ruy Ohtake ministra um laboratório destinado a estudantes universitários matriculados em cursos de design no qual irá explorar possibilidades de uso da madeira na produção de objetos. O laboratório acontece no Oficina Lab, escola, espaço de coworking, permanência e troca para os fazedores de todas as áreas, localizado na Barra Funda. Os estudantes selecionados devem participar obrigatoriamente dos três dias de laboratório, conforme calendário abaixo.

Público: Estudantes universitários de cursos de Design.
Vagas: 15
Local: Oficina Lab – Rua Dr. Ribeiro de Almeida, 166, Barra Funda
Horário: das 14h às 18h
Datas: 23 de março (aula inaugural com Ruy Ohtake), das 14 às 18h; 30 de março (desenvolvimento dos projetos com a equipe do Oficina Lab), das 9h às 18h; 06 de abril (finalização dos projetos e conversa com Ruy Ohtake), das 9h às 18h.

Inscrições por email: participacao@institutotomieohtake.org.br (até dia 1 de março); Lista de selecionados será divulgada a partir do dia 15 de março;
Documentos necessários:

– Documento que comprove estar matriculado em curso de design universitário (matrícula ou declaração da Instituição de ensino)

– Portfólio em PDF com até 3 paginas contendo estudos de projetos ou imagens de projetos já realizados (com até 5 MB)

Lançamento livro: O Design da forma

Data: 26 de março às 19h, com conversa com Ruy Ohtake.

Textos dos curadores Fabio Magalhães, Marili Brandão e ensaio fotográfico de Ruy Teixeira

Editora Olhares, 200 páginas, preço: R$95,00

 

Ruy Ohtake: A produção do espaço

 

A exposição no Museu da Casa Brasileira, feita em associação com o Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba, apresenta ao público o singular pensamento espacial de Ruy Ohtake, um dos principais arquitetos brasileiros. Por meio de maquetes, desenhos, croquis, fotografias e vídeos, Agnaldo Farias concentra sua extensa produção de quase 60 anos num conjunto de 42 projetos

“A mostra ressalta a concepção de Ohtake sobre qual deve ser o papel da arquitetura para o homem contemporâneo, como a sua obra vai assumindo diferentes traduções, conforme a natureza do projeto, o impacto que, pelo imprevisto de sua massa, de suas formas, espaços e cores, pode provocar no trecho da cidade onde se inscreve, entre seus usuários ou simplesmente nas pessoas que passam e se surpreendem”, afirma o curador. Segundo Farias ainda, esse cálculo percorre todos os projetos: “numa casa, num edifício, seja ele residencial ou comercial; numa habitação temporária, como um hotel, que deve mesmo ser fascinante, como compensação a essas viagens que ou somos obrigados ou simplesmente queremos a fazer”.

Entre as obras selecionadas estão projetos urbanísticos, como o Parque Ecológico do Tietê (a canalização do rio foi um dos maiores equívocos urbanísticos cometidos na cidade, somado às congestionadas marginais, transformou a paisagem do rio sem margem / cit. Ruy Ohtake), preserva o curso natural do rio, portanto as margens para recuperação da vegetação, com pequenos núcleos de esporte, lazer, cultura e educação, possibilitando uma São Paulo do futuro ao revalorizar o rio, a paisagem, a ecologia e a história; Parque Ecológico de Indaiatuba, que retoma a dignidade do rio para o qual a cidade dava as costas; Polo Educativo e Cultural e Condomínio Residencial de Heliópolis, cujo principal partido tem sido o diálogo com moradores e onde o arquiteto consegue materializar a igualdade social no cenário de complicada desigualdade; Expresso Tiradentes, infraestrutura de transporte, traçado amarelo de 8 km de extensão que atravessa a cidade a 15 m acima das ruas do centro de São Paulo.

Já entre as edificações, que também deixam a marca do arquiteto na paisagem urbana, estão: Hotel Unique, Complexo Aché Cultural, onde está abrigado o Instituto Tomie Ohtake, caracterizado por um grande saguão que articula 8 salas de exposições e demais complementos da instituição, em São Paulo; Alvorada Hotel, em Brasília; Embaixada do Brasil, em Tóquio; e o Aquário do Pantanal, em Mato Grosso do Sul. “O pensamento espacial de Ruy Ohtake traduz-se em sua arquitetura singular, produção que encara as dificuldades do país e que luta por melhorá-lo não só por meio de respostas técnicas, mas pela beleza que alivia o olho e alimenta a imaginação”, completa o curador.

Sobre Ruy Ohtake
Formou-se na FAU em 1960 e já em 1962 projetou a casa Rosa Okubo, premiada na Bienal de Arquitetura de São Paulo daquele ano. Depois de quase seis décadas de intensa atuação e muitos prêmios, conquistou, em 2007, o Colar de Ouro, maior condecoração do Instituto de Arquitetos do Brasil e foi condecorado como “Arquiteto do Ano 2009”, pela Federação Nacional de Arquitetos. Recebeu os títulos de Professor Emérito da Faculdade de Arquitetura de Santos e de Professor Honoris Causa da Universidade Braz Cubas. Seu reconhecimento internacional já o levou a fazer parte do seleto grupo de arquitetos convidados do 20º Congresso da União Internacional de Arquitetos (1999), em Pequim, ao lado de Jean Nouvel e Tadao Ando. Na comemoração dos 60 anos da FAU-USP, em 2008, foi o arquiteto convidado a fazer uma exposição no grande espaço projetado por seu mestre Vilanova Artigas.

Sobre Agnaldo Farias
Um dos curadores e críticos de arte mais reconhecidos do Brasil, responde atualmente pela curadoria do Museu Oscar Niemeyer e da Anozero’19 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra. Comandou a 29ª Bienal de São Paulo em 2011 e fez curadorias para o Museu de Arte Contemporânea e o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; para o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro; para o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba; e para o Museu de Arte do Rio Grande do Sul; entre outros espaços. É também professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Sobre o MCB
O Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, dedica-se à preservação e difusão da cultura material da casa brasileira, sendo o único museu do país especializado em arquitetura e design. A programação do MCB contempla exposições temporárias e de longa duração, com uma agenda que possui também atividades do serviço educativo, debates, palestras e publicações, contextualizando a vocação do museu para a formação de um pensamento crítico em temas como arquitetura, urbanismo, habitação, economia criativa, mobilidade urbana e sustentabilidade. Dentre suas inúmeras iniciativas, destacam-se o Prêmio Design MCB, principal premiação do segmento no país, realizado desde 1986; e o projeto Casas do Brasil, de resgate e preservação da memória sobre a rica diversidade do morar no país.

 

Fontes: CAU/BR, Instituto Tomie Ohtake e Museu da Casa Brasileira
Fotos: Divulgação / Ruy Ohtake

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